Archive for the ‘sala de aula’ Category

Oficina de Papel Machê

23 outubro, 2008

Este post, em especial, é um agradecimento ao 1.º ano do Curso de Pedagogia da Universidade São Judas Tadeu. A Prof.ª Dinéia Hypolitto, docente da disciplina Fundamentos da Educação Infantil do referido curso, convidou-me, por ser professora de Educação Artistica, ministrar uma palestra sobre a Abordagem Reggio Emília.

Ao planejar as aulas teóricas, percebi a necessidade da montagem de uma oficina prática  sobre o tema em questão, e uma prática que levasse os alunos a  refletir sobre a produção realizada. Sendo ela uma amante das artes, e tendo consciência de sua importância para o desenvolvimento infantil, aceitou prontamente.

Propus à turma que trabalhássemos com modelagem, tendo como base exploratória o papel machê e máscaras de carnaval.

Assistam ao vídeo dos(as) alunos(as) durante a  oficina de máscaras.

No primeiro momento, os alunos aprenderam a trabalhar a massa de papel, e modelaram máscaras e algumas bonequinhas. No segundo momento, trabalhei a base teórica da abordagem. Por último, elas finalizaram as suas produções, e conversamos sobre as dificuldades encontradas durante a produção de todas as máscaras e bonequinhas. Essa reflexão é fundamental para o trabalho da Abordagem Reggio Emília para que a próxima produção atinja melhor os seus objetivos e desperte novas competências.

Por que papel machê?

Com o papel machê, podemos trabalhar em qualquer comunidade ou grupo social. Seja na escola ou em entidades sociais, com crianças ou adultos (nesse caso possibilita, ainda, ajudar no orçamento doméstico), pois não gastamos nada para fabricá-lo. Só precisamos de papéis que serão jogados no lixo. Com essa técnica, podemos trabalhar a consciência ambiental e a organização dos espaços de convivência das crianças. Basta ajudarmos nossos alunos a compreender que aquelas bolinhas de papel, ou aviõezinhos que voam pela sala de aula, enquanto não olhamos, podem se transformar em outros objetos construídos por suas próprias mãos.

O papel machê é utilizado pelos chineses desde II A.C. Fiquei admirada ao saber que eles fabricavam leme para seus barcos de papel machê impermeabilizado. Isso, e muitas outras curiosidades sobre a história dessa técnica você encontra no blog Um pouco do que eu gosto.

Por que modelagem?

A criança é artística por natureza. Logo nos primeiros anos, começa a explorar o mundo e a representá-lo por meio da arte: rabiscar, montar, desmontar, dançar, dramatizar, criar histórias, lutar, cantar etc. Por isso, não tenha receio de usar e abusar das representações artísticas em sala de aula.

A modelagem contribui para o desenvolvimento cerebral do ser humano em qualquer faixa etária. Por meio dela é possível estimular, o córtex cerebral, e acelerar seu desenvolvimento.

A pedagoga Silvia Mara da Silva nos diz que por meio da modelagem “… é possível estimular o córtex cerebral, e dessa forma, criar novas vias neurais que irão favorecer novas aprendizagens…”. Leia mais sobre a sua experiência no site Centro de Vida Independente .

A criança começa a se interessar por modelagem logo nos primeiros anos, e devemos explorar sua necessidade tátil para enriquecer seu desenvolvimento. Qualquer massa que colocarmos em suas mãozinhas ela tentará modelar. Com isso ela aprimora a percepção, a criatividade, a coordenação motora (principalmente a fina), a auto-expressão, a socialização etc.

Agora que sabemos sobre a importância da arte e da modelagem para o desenvolvimento infantil, devemos pensar em pequenas oficinas de aprendizagem por meio desta forma de expressão: a modelagem.

Na Abordagem Reggio Emília, o educando tem a oportunidade de escolher o material que deseja utilizar para representar suas inquietudes e pesquisas. A minha sugestão é que as professoras, primeiramente, montem pequenas oficinas diversificadas: uma de argila, outra de papel machê, outra de massinha feita de farinha ou comprada. Essa criança gozará do privilégio da escolha consciente para representações maiores (elas são capazes disso). Assim, ela reflete sobre sua produção, repensa seu fazer e até mesmo recomeça. Isso é autonomia!

Veja o resultado da oficina de papel machê.

Alguns dias após a oficina de papel machê,  as alunas(os) do curso de pedagogia  tiveram a oportunidade de participar da oficina massiducando, ministrada pela profª  Prof.ª Graziele Medeiros, na qual os mesmos alunos(as) tiveram a oportunidade de aprender atrabalhar com massinha. Clique aqui para visitar essa oficina. Veja também o projeto da disciplina Ludicidade, da turma de pedagogia da Faculdade de Visconde de Cairu , BA, no blog da Manúpink.

Reggio Emília em Porto Alegre e São Paulo

19 outubro, 2008

Recebi a visita de duas professoras de educação infantil: a  Maria Inês, de Porto Alegre, RS, e Mariana S. Bollasi, de São Paulo, SP. Atuam em escolas de educação infantil que implantaram a  Abordagem Reggio Emília como  proposta pedagógica.  Essas professoras  colocaram suas escolas e suas experiências à disposição dos profissionais da educação que queiram conhecer melhor os conceitos da Abordagem Reggio Emília e como aplicá-los. Deixo aqui os comentários e o telefone de contato de cada escola.

 

Maria Inês:

“Informamos que em Porto Alegre, RS trabalhamos com as idéias de Reggio Emilia. Nosso maior referencial é ARTE, MÚSICA e MOVIMENTO. Fizemos DOCUMENTAÇÃO PEDAGÓGICA DAS CRIANÇAS registrando as linguagens desenvolvidas através de projetos e unidades temáticas e conceituais.
Nos colocamos a disposição para trocas de experiências, relatos ou dúvidas.

Meu telefone para contato é (51) 9156-0951.”

Mariana S. Bollasi:

“Somos uma escola Regiana! Nossa diretora pedagógica esteve lá em 2004, com o 1º grupo de brasileiros a ser recebido pela prefeitura de Reggio Emilia e pode perceber que estamos muito abaixo do que eles acreditam ser importante para essa 1ª infância… Aqui no Brasil temos normas, temos calendários e programas a serem cumpridos junto à diretoria de educação… Mas mesmo assim conseguimos ser essencialmente Reggio Emilia… Caso queira, faça contato e tenho certeza que a direção pedagógica lhe atenderá… Estamos na zona norte de São Paulo… Acesse o site da escola Villa Dei Bambini . Faço parte da direção administrativa da escola e fã do conceito… Acessei seu blog pois estamos alterando todo o site e buscava mais informações sobre a proposta…

Fone para contato: (11) 6977-2822/ 6975-2494.

Trocar experiências é sempre muito bom em qualquer área de atuação.


 

Mosaico com casca de ovo

15 outubro, 2008

Vou sugerir, hoje, um mosaico com casca de ovo. É lindo e envolve muitas habilidades para sua execução. Assista ao vídeo e depois comente sobre o que achou!

Mosaico é um trabalho muito bom a ser realizado com crianças a partir dos cinco anos. Pode desenvolver no educando a visão espacial, a motricidade, a concentração, a elaboração da imagem e também a importância da continuidade dos trabalhos. Tudo na vida tem continuidade, e podemos ensinar as crianças a refletir e reconstruir seus trabalhos. Mas para isso elas têm que entender que podem retomar a atividade na próxima aula. Isso contribui para que a criança pense melhor no que está executando; e o educador, agindo assim, proporcionará a esse pequeno artista o tempo necessário para mudar ou mesmo para confirmar sua idéia inicial. Se a criança executa trabalhos que a forcem a continuar posteriormente, ela aprenderá, na prática, a concentrar-se, a esperar e a respeitar o tempo de cada um.

É por isso que gosto de trabalhar com pequenos projetos; assim as crianças aprendem a ajudar umas às outras, a repensar, a esperar e refazer seus planos.

Sugiro uma visitinha ao site da profª Terezinha Bordignon sobre a história do mosaico e sua aplicação em sala de aula. Clique aqui.

Dica: Deixe a casca (branca) de molho na anilina colorida para obter cores diferentes.

Avaliação escolar

3 setembro, 2008

Muitos de meus visitantes comentam que se sentem inseguros para avaliar seus alunos. Acho normal essa dificuldade. Muitos de nós passamos toda a vida escolar sendo avaliados por uma escola tradicional e agora tudo muda. Passamos a vida sendo avaliados pelo que sabíamos no dia da prova, e agora temos que aplicar a avaliação formativa. Não fomos ensinados a avaliar e, sem que percebamos, estamos avaliando do mesmo jeito com que fomos avaliados em nossa infância e adolescência. Muitas vezes temos dificuldades de nos livrar desse ranço que ainda persiste em nós e em algumas escolas. É por isso que repito o que aprendi: “temos que ler muito e sobre avaliação mais ainda”.

Teoria e prática precisam andar de mãos dadas, mas para que isso ocorra, para que a prática se concretize com tranqüilidade, é necessário muita teoria no início.

O site educanaweb, construído por educadores portugueses, tem um espaço dedicado a avaliação escolar. É muito dinâmico, se atualiza com freqüência e trata de diversas teotrias : portfólio, Motessori, Freinet, Dewey etc . É o tipo de site que deve ser visitado freqüentemente, pois estão sempre agregando novos artigos sobre o assunto. Para visitá-los é só clicar aqui.

Boa pesquisa.


Bibliotecas da antiguidade

31 agosto, 2008

Acabo de ler esse site e quero recomentdar a vocês. A leitura é muito gostosa e as caricaturas dos livros é melhor ainda. Esse material já leitura obrigatória para meus alunos do projeto A Arte de Encadernar.

Clique na imagem e leia a matéria.

Blog Principes azuis. Princesas cor-de rosa

Bem vindo 1º ano da Pedagogia da USJT – 2008

11 agosto, 2008

Olá aluno(as) do 1ª ano do curso de Pedagogia da Universidade São Judas Tadeu da turma de 2008. É com grande satisfação que recebo a visita de vocês no blog a pedido da Prof.ª Dinéia Hypolitto, da disciplina de Educação Infantil. Sinto-me lisonjeada em poder ajudá-los com algumas informações sobre a escola Reggio Emília. Para conhecer um pouco mais sobre a história e surgimento da escola Reggio Emília, vá para a página Da destruição surge um sonho: uma pequena escola. Para conhecer sua abordagem e o trabalho e desenvolvimento com as crianças, dirija-se à página Criança Rupestre, na qual encontrará algumas reportagens e entrevistas muito interessantes para nós, educadores.

Assistam ao vídeo do prof. Pacheco, lá de Portugal, da Escola da Ponte, na página do YouTube. Depois vocês passearão na página da Escola da Ponte. Assim, vocês estarão conhecendo duas abordagens diferentes que trabalham com projetos interdisciplinares.

Sinto-me mais feliz ainda em poder contribuir com vocês transmitindo um pouco do que sei sobre a importância da arte para o desenvolvimento infantil.

Esse ano faremos a Oficina de Papel Machê e, para que vocês vislumbrem o tipo de trabalho que podemos realizar, vou indicar o blog da Manú Pink. Ela é aluna do curso de pedagogia de Visconde de Cairú na Bahia, e publicou, em seu blog, as fotos da exposição com bonecos de papel machê confeccionados na disciplina de Ludicidade.

Exposição de Bonecos

Exposição de Bonecos de Visconde de Cairú - BA

Quanto à Oficina de Papel Machê que faremos nos dias 18, 19 e 25 de agosto, passo a vocês o cronograma:

Para o dia 18 de agosto:

1- Levem a polpa de papel pronta. Segue abaixo algumas receitas de papel machê; escolha uma delas e faça.

1ª RECEITA é feita com papel higiênico:

Material:

1/2 rolo de papel higiênico,

1 litro de água,

2 colheres de sopa de vinagre;

2 a 3 colheres de sopa de gesso,

2 a 3 colheres de sopa de farinha de trigo,

1 tubinho de cola branca (das boas)

Preparo: pique bem o papel e deixe de molho na água por 24 horas. Depois coloque numa panela e deixe cozinhar por uma hora. Se precisar, acrescente mais água. Após o cozimento, acrescente o vinagre, mexa bem e deixe a polpa esfriar. Escorra a polpa numa peneira e depois guarde na geladeira dentro de um saco plástico bem vedado. A polpa de papel está pronta para ser usada na aula . Essa polpa, se armazenada na geladeira, conserva-se por 48 horas. Os outros materiais serão acrescentados no momento da execução do trabalho.

2ª RECEITA é feita com aparas de papel: (rascunhos, sobras de cadernos etc.)

Material:

15 folhas de papel,

1 litro de água,

2 colheres de sopa de vinagre;

2 a 3 colheres de sopa de gesso,

2 a 3 colhres de sopa de farinha de trigo,

1 tubinho de cola branca (das boas)

Preparo: pique bem o papel e deixe de molho na água por 24 hora. Depois coloque um pouco do papel picado no liquidificador com a água do molho (acrescente água para não danificar o liquidificador) e triture bem. Após triturar todo o papel picado, acrescente o vinagre, mexa bem. Escorra a polpa numa peneira e depois guarde na geladeira dentro de um saco plástico bem vedado. Agora a polpa de papel está pronta para ser usada na aula . Essa polpa, se armazenada na geladeira, conserva-se por 48 horas. Os outros materiais serão acrescentados no momento da execução do trabalho.

Nota: Escolha entre essas duas receitas a que você achar melhor. O resultado do trabalho será o mesmo. Não precisa fazer as duas receitas, é uma ou outra.

2 - Modelos impressos de máscaras ( para que a criança possa ver e saber o que fazer);

3 – Tesoura;

4 – Jornal velho;

5 – fita crepe;

6 – Pincel largo;

7 – Copinho descartável;

8 - Bandejinhas de isopor ou pratinhos descartáveis;

9 – Bexiga (bola de aniversário), rolinho de papel higiênico ou de papel toalha;

10 – Cola branca e seis palitos de sorvete ou churrasco.

Dia 19 de agosto:

1 – Tinta guache, ou acrílica;

2- Pincéis, lantejolas, griter, peninha, coisinhas para enfeitar (aqueles artefatos que todo pedagogo carrega em sua bagagem);

3 – Fita crepe;

4 – Cola Branca.

Creio que o material não secará de um dia para o outro, então, faremos outros trabalhos nesse ínterim. No dia 25 nós finalizaremos a oficina.

Somente hoje, dia 16/08, pude terminar a máscara feita com papel machê que levarei para vocês amanhã. Vejam como ficou.

Mácara de papel marchê confeccionada pela profª Elisa Kerr

Máscara de papel machê - profª Elisa Kerr

Espero estar à altura da expectativa de vocês. Qualquer dúvida ou dificuldade é só falar. Bom Trabalho pessoal, e mãos à obra.

Restauração de livros

7 agosto, 2008

Gosto de publicar sites de colegas, principalmente na área de restauração. Apesar de serem concorrentes, eles reafirmam o conhecimento que transmitimos aos alunos e clientes e ainda acrescentam elementos que às vezes deixamos passar despercebidos em nossas explanações em sala de aula.

Portanto, hoje, indico mais uma leitura aos participantes do projeto “A ARTE DE ENCADERNAR”. O site Restauração de Livros publicou uma matéria sobre a história da encadernação e os cuidados que o restaurador dever ter com a obra. Vale a pena ler!

Veja a carta encaminhada a Secretária da Educação

19 julho, 2008

Recebi esta carta hoje e, como educadora, não posso deixar de publicar-lá. Foi escrita pela Supervisora de Ensino – Profª Drª Clarete – encaminha à Secretária da Educação do Estado de São Paulo, Maria Helena Guimarães Castro. É longa, mas vale a pena ler.

Senhora Secretária,

Quero aqui expressar, com todo o respeito, a opinião de uma profissional que pensa que a educação pública de boa qualidade é fundamental para o desenvolvimento do país e que, por isto mesmo, tem orgulho de pertencer ao Quadro do Magistério Estadual Paulista. Tenho 15 anos de trabalho na Escola Pública de São Paulo, 11 dos quais em sala de aula e os últimos 4 na Supervisão de Ensino. Tenho lido com muita apreensão algumas matérias que saem nos jornais e na Revista ‘Veja’ que, a meu ver, têm colocado a maior parte da responsabilidade dos males da educação nos professores e gestores escolares, sem, contudo, fazer uma reflexão mais profunda sobre esta situação.

Concordo que há um número grande de professores sem condição para assumir uma sala de aula. Mas há que se perguntar: por que isto acontece? Se a justificativa do fracasso da educação está neste fato, por que aceitar professores tão mal formados? É triste pensar que boa parte dos professores é formada em cursos que não preenchem os mínimos requisitos para formar bons professores. Não posso deixar de pensar que isto parece uma política muito bem pensada. Professores mal formados formam mal seus alunos e, por isto mesmo, não têm o direito de receber salários dignos de um bom profissional.
Os bons profissionais acabam abandonando a carreira, pois não são valorizados tanto financeiramente, como do ponto de vista social. Nem o Estado, nem a sociedade respeitam estes profissionais. E como resgatar o respeito perdido perante a sociedade, se toda campanha que o governo e a mídia em geral fazem por uma educação de qualidade, é uma campanha contra os professores, sempre apontados como os grandes culpados pela situação da escola pública?

No entanto, quando alguns de nós afirmamos que é preciso fiscalizar, com mais firmeza, os cursos para que passem a formar professores competentes, lá vem aquela ‘baboseira ideológica’ (me desculpe por emprestar sua expressão) de que somos um bando de castristas autoritários. Ninguém reclama quando a vigilância sanitária fecha um estabelecimento que não segue as mínimas regras – afinal é uma questão de saúde pública. Mas quando falamos da necessidade de fiscalizar as instituições de ensino superior e tomar
atitudes firmes contra aquelas que formam mal, é uma gritaria geral. Em uma entrevista à ‘Veja’ a senhora afirma que ‘num mundo ideal’ fecharia as faculdades de pedagogia porque seus cursos são ‘exclusivamente teóricos, sem nenhuma conexão com as escolas públicas e suas reais demandas’ (Veja, 13/02/2008). Na verdade, senhora secretária, uma boa parte dos cursos são vagos mesmo e os alunos não tem aulas de tipo algum, sejam teóricas, sejam práticas.

Penso que qualquer reforma no ensino básico será infrutífera se não acompanhada de uma reforma profunda nos cursos que formam professores. Outra questão reside nas condições de trabalho. Muito tem se falado no exemplo finlandês, especialmente em matérias da ‘Veja’. Convenhamos, nenhuma delas explica muito bem a situação dos professores finlandeses, tão citados como exemplares. Matéria do ‘Washington Post’, disponível na Internet (washingtonpost. com, acesso em fevereiro de 2007) e intitulada ‘Focus on Schools Helps Finns Build a Showcase Nation’, nos fornece dados que possibilitam ver as diferenças entre as condições de trabalho dos professores daqui e da Finlândia. Neste país, a profissão é valorizada, os professores são respeitados pela sociedade e se orgulham de sua profissão.
Quase todos são mestres, no mínimo. Será que se formam em cursos vagos, de fim de semana? Cursos reconhecidos pelo Governo e que cresceram exponencialmente a partir dos anos 90? Aqui em São Paulo, até mesmo o programa ‘Bolsa Mestrado’ foi suspenso pelo governador José Serra. Na Finlândia, os professores não são horistas; são contratados para trabalhar em uma única escola; têm dedicação exclusiva, tendo tempo para desenvolver projetos que favoreçam a aprendizagem. Enfim, são professores- pesquisadores, com condições para tal. Aqui, senhora secretária, professor da escola pública é horista e dá até vergonha de dizer quanto vale a hora / aula de um professor. Para compor o salário os OFAs se deslocam de uma escola para outra para completar a carga horária. Muitos efetivos de cargo, para aumentar a renda, acabam acumulando cargo no próprio Estado ou no Município.
Isto sem falar naqueles que também atuam em escolas particulares. Em relação a esta questão, outra matéria ‘vejiana’ afirma que salário não tem relação com qualidade de ensino. Citando a Finlândia, afirma que lá os professores ganham quase o mesmo que a média do salário nacional, enquanto os professores daqui ganham cerca de 50% a mais. Ora, eu gostaria de ganhar um salário igual ao da média nacional, desde que a nossa média nacional fosse igual à da Finlândia. Como os professores de lá, com certeza eu não reclamaria. Como diversos estudos mostram, números são interpretados em função de nossas intenções e visões de mundo. Como educadora e com uma visão diferente da ‘vejiana’, penso que devemos lutar por um futuro em que a média dos salários daqui possa se comparar à de países que oferecem uma vida mais digna aos seus cidadãos. Aliás, é interessante observar que matéria da própria ‘Veja’ (Veja São Paulo, de 16/04/2008), mostra que salário tem sim relação com a qualidade de ensino. A matéria nos informa que a média dos salários dos professores das 10 melhores escolas no ENEM 2007 é de R$ 6.000,00. Há professores que recebem mais de R$ 9.000,00. São professores bem formados, valorizados e com dedicação exclusiva. Sei das dificuldades de se arcar com custos de salários tão altos para os professores das escolas públicas, mas dizer que ganhamos bem e que reclamamos à toa beira é brincadeira de mau gosto, para não dizer que parece um discurso ensaiado e de má fé.

Voltando à Finlândia, lá o sistema é ‘rich in staff’, como é afirmado na matéria do ‘Washington Post’. Há funcionários, psicólogos e especialistas em crianças com necessidades especiais. Já aqui… Lá o sistema seleciona os melhores professores, pois os valoriza. Aqui o sistema contrata professores mal formados exatamente porque não os valoriza. Só quando os professores forem profissionais bem formados, receberem salários dignos de sua profissão e forem respeitados enquanto profissionais é que o Estado terá condições de exigir resultados. Aí sim poderá avaliar e até mesmo criar mecanismos para excluir aqueles professores que não tenham compromisso em sua profissão, tal como na Finlândia ou nas escolas particulares. Do contrário, as avaliações só continuarão a mostrar o fracasso do sistema.

Penso ser urgente pensar nestas questões, pois não adianta cobrar melhora nos resultados de aprendizagem se não há um sistema de contratação de profissionais bem formados, sejam professores, sejam gestores. Concordo que o problema da má qualidade de ensino não se resolverá apenas com aumento de salário dos professores. Mas os profissionais da educação pública precisam ter seus salários revistos.

Repito: sei das dificuldades de o Estado arcar com uma folha de pagamento alta como das escolas particulares, mas nosso salário está vergonhoso e não acredito que o governo do Estado mais rico da federação não poderia oferecer um pouco mais. Há também outros problemas que precisam ser enfrentados, de fato. Acho no mínimo preocupante quando a senhora afirma, em uma das reportagens (Folha de São Paulo, 25/02/2008), quando questionada sobre as ‘falhas dos governos tucanos’ (Covas, Alckmin), que prefere dizer que os problemas atuais são estruturais. Não são falhas de um governo que está aí há anos, não é questão de incompetência. São questões estruturais. No entanto, quando dizemos que muitos dos problemas da escola pública são estruturais (salários baixos, lotação, prédios horrorosos, lousas caindo aos pedaços, falta de laboratórios, violência, indisciplina, etc.) ouvimos que isto é reclamação sem fundamento; que é só saber bem o conteúdo e boas técnicas didático-metodoló gicas que tudo se resolveria (isto fica bem claro quando lemos o ‘Caderno do Gestor’ que acompanha a nova ‘Proposta Curricular’) . Mas quando questionada em uma das reportagens sobre as condições das escolas, a senhora diz que o governo faz o que pode, manda verbas, mas à noite a escola é invadida e roubam os fios. Isto não é contraditório? O governo tem desculpas, não é sua culpa, é da estrutura e dos vândalos que invadem a escola. Agora, quando um professor tem que enfrentar uma classe lotada, sem a mínima estrutura ele tem que se virar.

Não tem desculpas… Em outras palavras: todas as falhas dos governos passados não são falhas ou questão de incompetência, são problemas de estrutura. Mas quando os professores dizem que a estrutura atual do sistema de ensino contribui muito para o fracasso escolar, o governo diz que isto é desculpa, que é ‘baboseira ideológica’, e que basta ser competente e saber o conteúdo que tudo se resolverá. Voltando à tão citada Finlândia, fica claro que lá os professores são competentes, como se afirma, porque bem formados, valorizados e com condições estruturais bem melhores que as que temos no Estado de São Paulo.

Portanto, falar em qualidade em salas lotadas, sem condições estruturais satisfatórias e sem professores bem formados (bem diferente do tão falado sistema finlandês), é falar para ‘inglês ouvir’. Em suma, uma educação de qualidade reside no tripé salários dignos, condições de trabalho e compromisso profissional. Só quando o Estado pagar salários dignos e fornecer condições para os professores e gestores desenvolverem seu trabalho, poderá selecionar os melhores e até mesmo criar formas de excluir aqueles que não tenham compromisso. Em tempo, senhora secretária: fiz mestrado e doutorado e não ganho o salário que estão dizendo por aí que eu ganho. Muitos de meus colegas me perguntam por que ainda estou na educação pública ganhando um salário tão baixo que não condiz com a minha formação.
Respondo que escolhi isto por acreditar que estou exercendo uma profissão chave para um país que deseja um futuro mais digno; que ainda acredito na educação e que, sim, tenho um compromisso ideológico com a escola pública.
Mas a seguir sua visão e a visão ‘vejiana’ de educação, senhora secretária, isto deve ser mais uma das minhas ‘baboseiras ideológicas’.

Profª Drª Clarete – Supervisora de Ensino

Em Portugal, segundo o Profº José Pacheco, o salário de um Educador da Infância (pedagogo) das escolas públicas é equivalente a R$ 6.000,00.

Dança Circular: a roda da vida

13 julho, 2008

As Danças Circulares chegaram ao Brasil na década de 1990 e, aos poucos, foram conquistando o interesse das pessoas. Atualmente, há diversos grupos que se reúnem ao ar livre, em espaços públicos, divulgando as danças. As Danças Circulares estão sendo ensinadas por alguns professores de educação física em escolas públicas, particulares, creches e ONGs como alternativa de recreação e atividades físicas.
A prática das Danças Circulares têm propiciado muitos benefícios aos seus participantes, como: auto conhecimento, socialização, auto-respeito, o amor e a comunhão entre as pessoas. Por meio das coreografias, nas quais os participantes dançam de mãos dadas e em círculo, desenvolvem ainda, a concentração, o ritmo, a expressão e a disciplina. Apesar dos passos simples, a lateralidade é sempre utilizada. Portanto, a dança circular cria um espaço de integração humana, harmonia, amizade e alegria.

Professora de Educação Física Tatiana Liberato Pricoli

CEAM – “Profª Alzira Altenfelder Silva Mesquita”

Assistam ao vídeo da apresentação feita pelos participantes do projeto.

No próximo vídeo, a professora Tatiana convida a todos para entrar na roda e dançar junto com os integrantes do projeto.

CEAM – Projetos Educacionais

1 julho, 2008

No dia 25 de junho, realizou-se no Centro Educacional “Profª Alzira Altenfelder Silva Mesquita” – CEAM – uma confraternização do encerramento do primeiro semestre. São vários os projetos educacionais abertos à comunidade que funcionam sob a coordenação geral do Diretor do Centro de Extensão – Fernando Ferrari Duch. Esses projetos se realizam em dias e horários diversos e, apesar de estarmos no mesmo ambiente, os projetos se distribuem pelas várias salas de aula do campus da Universidade São Judas Tadeu.

Essa confraternização é realizada justamente para integração de todos os participantes, professores e coordenadores envolvidos nesses projetos.

Os projetos foram apresentados por alunos (monitores) dos cursos de Formação de Professores e Pedagogia.

A Arte de Encadernar

O projeto tem por objetivo capacitar os participantes na arte da encadernação de livros, com princípios de conservação cultural. Foi ministrado por Elisa Kerr.

Reflexões do Cotidiano

É direcionado aos alunos do ensino médio. Desenvolve nos participantes o estilo reflexivo ao analisar temas do cotidiano. Parabéns, Mª Julieta Bertazzi, por esse trabalho tão importante junto aos nossos jovens.

Dança Circular

Quanta leveza e graça esses alunos nos transmitiram ao dançar!

Parabéns, Tatiana L. Pricoli e Alan José da Silva com as danças circulares, as quais têm se destacado muito.

Mãos que Criam

O projeto é especial, pois os alunos estão criando peças de decoração lindas. Vocês precisam ver o que os alunos fizeram – mosaicos, biscuit e decoupage. Parabéns, Verônica Araujo Castilho pelo belíssimo trabalho realizado com seus alunos.

Saberes e Sabores

É literalmente o mais gostoso! Todas as suas apresentações trazem guloseimas deliciosas para degustarmos e, conseqüentemente, aprovarmos o projeto. Os quitutes são feitos pelos próprios participantes, que fazem isso com muito carinho e dedicação. Parabéns, Marissol Richter e Alain Tamine .

Os projetos acima foram coordenados pelos professores Dinéia Hypolitto e Ubajára S. Oliveira, dos cursos de Formação de Professores e Pedagogia.

Alfabetização Digital

Puxa! Que bonito ver as pessoas em busca de seu aprimoramento, reconhecer suas dificuldades perante a tecnologia e superar esses desafios! Parabéns, prof.ª Elaine C. Gallo e às coordenadoras prof.ª Neusa S. Costa e Zenaide Caciare Pereira, dos cursos de Formação de Professores e Pedagogia.

Quero parabenizar todos os participantes dos projetos, pois vocês são a razão de ser do CEAM.

Outros projetos, os quais não mencionei, devido estarem encerrando apenas no final do segundo semestre, vale a pena conferir no site USJT .

Caso queira maiores informações, entrar em contato com a secretária do CEAM – Mª Tereza K. Uehara , pelo telefone (11) 2799-1922.

Confira algumas das fotos da entrega dos atestados, no dia 27 de junho, dos participantes que concluiram os projetos do primeiro semestre/2008 do CEAM.

Parte da equipe do CEAM


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