Remendo novo não pega em pano velho

É sempre tempo de refletir sobre nossas falhas e recomeçar. É o que está tentando fazer o nosso ministro da Educação, Fernando Haddad, conforme anunciou o O Globo Online no último dia 30. Alguém disse ao nosso ministro que a falta de professores nas áreas de química, física, matemática e biologia, na rede pública será minimizada com incentivos aos estudantes dessas áreas. A intenção é boa, só não sei se esse é o caminho?

Para solucionar esta questão, o nosso governo está propondo um incentivo monetário aos futuros professores de nossa pátria. Mas só aos que estudam nas federais! Gostei da iniciativa, mas acho que tudo isso vai acabar em pizza, a não ser que essas instituições tenham como garantir que esses futuros formandos se dediquem à educação.

Como já dizia minha vó: – Remendo novo não pega em pano velho. A educação pública precisa mesmo é de uma reforma e não de um remendo.

O problema de falta de professores na rede pública não está apenas na formação desses profissionais, mas também no baixo salário e nas problemáticas que essa profissão proporciona aos educadores. Estou falando das agressões verbais e físicas, chantagens, do medo de entrar em sala de aula, da falta de compromisso dos pais e alunos com o desrespeito de seus filhos conosco, educadores etc.

Concordo plenamente que muitos professores não tiveram uma boa formação; contudo, esse encargo não recai apenas aos que se formaram em universidades públicas, mas também sobre as instituições particulares.

E aquelas pessoas que trabalham o dia todo para pagar sua graduação, a que horas elas poderão estudar? Como podem aprimorar sua formação? Qual incentivo o governo oferecerá?

Acho que o governo tem mesmo é que garantir que só haja professores do sexo feminino e, também, garantir um marido rico para elas. Assim, elas poderão ter apenas uma matrícula no serviço público e tempo para aproveitar a bolsa de mestrado que o CNPq oferece aos professores.

Tenho certeza que você tem uma sugestão valiosa para minimizar a problemática da educação brasileira. Pena que nosso governo não tá nem aí para ela! Mas eu gosto de saber sua opinião, então deixe aqui para que possamos discutir e compartilhar nossos ideais de educação.

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2 Respostas to “Remendo novo não pega em pano velho”

  1. jarbas Says:

    Alô, Elisa,

    Formação e condições de trabalho são dois nós da questão educacional. E, é claro, não são os únicos. Bota na conta coisas como: administração, estrutura, oferta, qualidade de prédios e equipamentos etc. e etc. Vamos ficar só nos dois primeiros nós, caso contrário nos perderemos num emaranhado de problemas que, cada vez mais, envolve nossa pobre escola pública.
    Acho que pequenos incentivos financeiros como os agora propostos nada vão mudar. Físicos, químicos e biólogos continuarão a fugir do ofício docente sempre que puderem. O grande problema é de “carreira”, envolvendo remuneração, status, condições de trabalho and so on. Em outros paises algo parecido já foi tentado para atrair mentes mais brilhantes para o trabalho em salas de aula. Os projetos fracassaram, pois o que precisa mudar é toda uma estrutura da escola pública.
    No caso da formação, há um problema que aparentemente o MEC não vai enfrentar. As universidades públicas não estão comprometidas com o ensino público. Lixam-se para a formação de professores para a rede. Prestam apenas serviços eventuais às secretarias de educação, garfando as verbinhas dedicadas a atualização e formação complementar de professores (tais verbinhas colocam um dinheirinho extra nos bolsos dos professores das faculdades de educação das estaduais e federais…). O problema maior, oferta de número representativo de vagas em faculdades de educação oficiais, fica esquecido. E no atendimento a um número inexpressivo de estudantes, as universidades estaduais propõem-se principalmente a formar “pesquisadores”.
    No estado da Califórnia, pelo menos oitenta por cento dos professores de ensino elementar e médio são formados por universidades estatais. Há uma tradição e compromisso nesta direção. Anos atrás, um professor da Unicamp propôs um plano similar ao das universidade públicas californianas para a Usp, Unesp e Unicamp. Foi ignorado. Pessoalmente, acho que a coisa poderia começar por algo parecido com a proposta do mencionado professor. As universidades públicas precisariam se comprometer com a formação da maioria dos professores necessários ao trabalho docente na rede pública. Mas acho que isso é apenas um sonho, as dificuldades políticas para implantar algo parecido são imensas.
    Outra questão é a do sucateamento das escolas públicas. No geral, as escola públicas encontram-se em estado lamentável. Há raras excessões. Se nada mudar nesse campo, pouco adiantará formar bons docentes. Quem puder continuará a fugir do ofício docente. Uma pena…
    Mas, apesar de todos os pesares, não devemos desaminar. Vale a pena sonhar e lutar por um ensino público digno e de boa qualidade. Abraço, Jarbas

  2. prof. Lenita M. de Almeida Says:

    Professora Elisa,
    A convite da professora Dineia estou revisitando o seu blog .
    Apreciei muito suas colocações e sobre tudo sua abertura para o debate. Focando a educação no Brasil, o que não faltou no decorrer de sua história foram reformas. Muito recurso investido e, não raro, de forma equivocada.

    Autoridades superiores, empenhadas no trato educacional, procuram minimnizar os fatos e efeitos concernentes à pedagogia, implantando medidas que , ao não contrapor os fatos reais às proposições feitas, arriscam-se repetidamente no lançamento de propostas saneadoras isoladas dos contextos, quer federativos, estaduais ou municipais.

    O espaço ora existente para ser preenchidos por professores de química, fisica, matemática e biologia – em falta no mercado – é um retrato da realidade educacional que atinge e compromete nossos professores. A carreira, por motivos sabidos, não é atraente. O binômio professor-aluno inseriu-se na massificação.

    Privilegiar com incentivos para os estudantes das universidades públicas das áreas citadas para que preencham a demanda desses profissionais no espaço escolar soa-me como utopia. Normalmente é sabido que alunos de universidades públicas já são privilegiados. Podem preparar-se adequadamente para obter uma vaga. Pobre cursa Faculdades particulares até de eficiência duvidosa. O mercado de trabalho está ávido por “competência” e as disciplinas mencionadas são absorvidas facilmente por empresas particulares, com estímulos atraentes para a carreira.

    As Universidades têm oferecido à Educação pesquisas de ponta, através de seus cursos de pós-graduados Stricto Senso, que abarrotam as bibliotecas universitárias e públicas, inclusive as dos órgãos fomentadores da pesquisa como, por exemplo, o Cnpq entre outros. Serão essas pesquisas consultadas? A contribuição desses trabalhos são contempladas? Não saberia dizer, pois presenciamos atitudes não condizentes com tanto esforço de pesquisa. Considerando-se a democratização do ensino, as bases professorais deveriam participar das intenções de melhorar tudo isso que está aí, sendo consultadas. Mas as ordens continuam primando pela verticalização piramidal do poder.Poderíamos dizer que isso tornou-se uma cultura. Fica difícil e até desanimador.

    Não se pretende contestar por contestar – mesmo se estando inserido profissionalmente num quadro que deprime. Talvez os mandantes não se dêem conta disso. O trabalhador do ensino sempre terá muito a oferecer, quando consultado. O risco de errar e não promover justiça, seria bem menor.

    Professora Elisa, você trouxe à tona apenas uma de tantas outras medidas componentes das Políticas Públicas para a Educação que mereceriam questionamento.

    Sugiro que você reúna as opiniões de outros professores e as compile num documento que pudesse ser encaminhado ao Ministro da Educação, num contributo para enriquecer o seu pensar.

    Parabéns! Pessoas comprometidas com a Educação, precisam desafogar o peito, partilhando, oferecendo e recebendo subsídios reflexivos que devem ser considerados. Esteja certa de que você está fazendo a sua parte.Abraços Pedogógicos Prof. Lenita Almeida. Consultora Pedagógica.

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