A biblioteca de José Mindlin poderá ser acessada pela internet

Olá pessoal, todos já sabem o quanto aprecio livros e bibliotecas e,  por isso, recomendo assistirem a reportagem que os reeportes do  Bom Dia Brasil fizeram  sobre  a nova biblioteca da USP  – Brasiliana (o acesso ao vídeo está muito lento!)parte do acervo do bibliófilo José Mindlin.

O que mais me impressiona nessa reportagem  é o “robozinho scaneador e, ou devorador de livros”.  A Brasiliana Digital – em função do robô, estará no espaço virtual antes mesmo do término da construção de seu espaço físico. Leiam a reportagem na integra (transcrição do vídeo realizada pela equipe da globo).

A biblioteca de José Mindlin poderá ser acessada pela internet

Fonte: Bom Dia Brasil 20/05/2009Rede Globo

Colecionador doou seus livros raros à USP. Um robô “devorador de livros” está escaneando os exemplares.

A paixão de um brasileiro por seus livros em breve vai ser compartilhada com todos nós. A universidade de São Paulo se prepara para receber parte da biblioteca Brasiliana, doada pelo empresário e colecionador José Mindlin.

Poderá ser acessado de qualquer parte do mundo, pela internet, e também fisicamente, em um prédio que está sendo construído para receber a Brasiliana. Um tesouro, de um homem sonhador, que vai se tornar público pelo esforço de gente que acredita que um grande país só se faz com cultura e educação.

É em um vazio moldado a ferro, onde ainda o concreto escorre, que caberá o conhecimento. A biblioteca por enquanto é toda imaginação. “São três andares de livros. Todas as paredes com toda coleção exposta. A ideia é que a gente tivesse sempre o visitante em contato com o acervo”, explica o arquiteto Rodrigo Mindlin Loeb.

Este será o corpo da Brasiliana, biblioteca formada por 17 mil títulos, todos sobre o Brasil ou feitos no Brasil, doados à USP pelo avô de Rodrigo, o empresário e bibliófilo, José Mindlin. “A arquitetura é coadjuvante nesse processo porque os livros são a alma. Estamos cuidando de dar um corpo para receber dignamente a coleção e ter acesso para meus filhos, netos e de todos nós”, diz o arquiteto Rodrigo Mindlin Loeb.

A alma da Brasiliana ainda está bem longe; na casa de José Mindlin, no espaço especialmente construído, ao lado do jardim, para abrigar a biblioteca dele com quase 100 mil volumes. É uma sala de preciosidades e raridades. Os livros são do século 19, de literatura brasileira. Lá, estão quase todas as primeiras edições dos livros de Machado de Assis. Há as primeiras edições dos dois romances mais lidos no século 19: “O guarani”, de José de Alencar e “A moreninha”, de Joaquim Manuel de Macedo.

Ao pé da escada fica Santo Inácio, um verdadeiro santo do pau-oco. No espaço de trás escondiam o ouro para escapar ao fisco dos portugueses.

É neste espaço da memória e do passado que vive um novo agregado: um robô do século 21, um devorador de livros, que lê 2,4 mil páginas por hora. O livro que o robô tem nas mãos é “Helena”, autografado por Machado de Assis, dedicado a um velho amigo dele, Salvador de Mendonça. A tudo isso nós teremos acesso, via internet.

“Enquanto o prédio está sendo construído, já estamos construindo a biblioteca digital”, aponta o coordenador da Brasiliana digital Pedro Puntoni. “Podemos transformar uma imagem recém tirada do robô em uma página que seja portátil para a web”, explica o engenheiro de computação Vitor Tsujiguchi. “O usuário vai ver o livro tal como ele é: a imagem do livro original, mas por trás dessa imagem há uma versão digitalizada, como se fosse transcrito.

O usuário pode fazer busca por palavra, frase, iluminar trecho, copiar e colar. A pessoa vai poder imprimir em casa, encadernar e colocar na sua estante”, antecipa o coordenador da Brasiliana digital Pedro Puntoni. O robô reconhece 120 línguas. Até o final do ano o plano é que ele tenha digitalizado 4 mil livros e 30 mil imagens. Quem está encantado com o trabalho do robô é o professor titular de história do Brasil, Istvan Yancsó, coordenador geral do projeto: “O conceito dessa biblioteca é atender a uma multiplicidade de destinações.

É um serviço que a USP vai prestar à nação. Tudo que nós estamos fazendo é sempre em cima da ideia de que é uma colaboração para montagem de alguma coisa que não vai ser a Brasiliana da USP, vai ser uma Brasiliana brasileira”.

Os primeiros livros que já estão sendo digitalizados são os dos viajantes que percorreram o Brasil nos séculos 16, 17, 18 e 19. Toda a coleção das gravuras de Debret. Depois disso será a vez de todos os livros de história do Brasil e literatura brasileira. Os 17 volumes da primeira edição dos sermões do Padre Vieira, a primeira edição brasileira de “Marília de Dirceu”, de Tomás Antonio Gonzaga – só existem três unidades no mundo. De José de Alencar, a primeira edição do “Guarany”, livro raro. José Mindlin passou boa parte da vida atrás desse exemplar, um dos únicos existentes e de muitas outras raridades.

Uma biblioteca como esta é um espaço para eternas descobertas. Cristina Antunes, organizadora da biblioteca Mindlin há 29 anos, sabe disso: “Até hoje descubro livros que eu não vi, que eu não li, que não conheço”. Toda essa coleção começou com um livro de história do Brasil de Frei Vicente de Salvador, e comentários de Capistrano de Abreu. José Mindlin tinha 13 anos, hoje, aos 94, quase 100 mil livros depois, quer dividir com todos o grande prazer que os livros lhe deram. “Era um sonho, no meio de muitos outros, era sim”, diz o bibliófilo José Mindlin.

A biblioteca Brasiliana está sendo construída na USP com doações de empresas. O prédio deve ficar pronto em julho de 2010. Os primeiros livros já deverão ser abertos para consulta, via internet em meados de junho. A partir daí, serão incluídos 200 livros e quase mil imagens por semana.

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5 Respostas to “A biblioteca de José Mindlin poderá ser acessada pela internet”

  1. Darshany L. Says:

    Passou uma matéria no Jornal Nacional hoje!

  2. Milhares de livros a um clique. « O Blog no Fim do Universo Says:

    […] Via Flanela Paulistana e Art|Educando. […]

  3. César Bernardo de Souza Says:

    Tenho quatro netos e o desejo que o futuro lhes pertença. O Sr. Mindlin e D. Guita acabam de dar-lhes passaportes para esse futuro. A esses grandes brasileiros, por tudo que fizeram e pelos meus netos que haverão de aproveitá-los melhor do que meus filhos e eu fizemos, só devo dizer: muito obrigado a um, muito obrigado a outra, muito obrigado a ambos.

  4. margaretebarbosa Says:

    Olá, Elisa!
    Assisti à matéria do Bom Dia Brasil e, assim como você, fiquei impressionada com o “robô devorador de livros”, que fará o nobre serviço de digitalizar páginas dos exemplares mais preciosos do Brasil. O que também chamou minha atenção foram duas coisas: a primeira é do arquiteto e neto de José Mindlin, Rodrigo Mindlin Loeb, quando diz que: “A arquitetura é coadjuvante nesse processo porque os livros são a alma. Estamos cuidando de dar um corpo para receber dignamente a coleção e ter acesso para meus filhos, netos e de todos nós”; a segunda coisa foi o próprio José Mindlin ao falar sobre o projeto: “Era um sonho, no meio de muitos outros, era sim”. Senti nas duas colocações que o Sonho do avô passou ao neto, e logo estará sendo compartilhado (e acessado!) pelo Planeta Terra inteiro!. Isso sim é incrível e louvável!
    Um super abraço!
    Margarete Barbosa

    • Elisa Kerr Says:

      Olá Margarete,

      Essas frases me encantam também, mas não são surpresas para mim, pois tive a portunidade de conhecer o casal José e Guita Mindlin e visitar esse magnífico jardim cultural em sua residência. Essa paixão eles transmitiam a todos que conversavam com eles. Eles estão deixando um legado cultural maravilhoso a nós e ao futuro de nossa nação.

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