Posts Tagged ‘Procedimentos de conservação’

Discussão: Posso intervir no livro de outra pessoa?

1 setembro, 2009

Este post é para meus alunos do projeto “A arte de encadernar” do CEAM – Centro Educacional profª Alzira Mesquita Alterfelder – USJT. Mas, caro visitante, se quiser fazer parte dessa discussão fique à vontade. Sua opinião é de grande valia para esse questionamento.

Hoje verifiquei que um blogueiro indica uma de minhas publicações no seu blog,  o que me deixou muito lisonjeada.

Peço a você,   aluno(a) do CEAM, que participa do projeto “A arte de encadernar”, que  entre no Blog Além das Curvas (blog do Professor Enoch Filho) e leia, atentamente, a matéria do professor Enoch.  Em seguida,  leia  os  comentários dos visitantes. Feito isso,  reflita sobre o que você já  aprendeu em aula, no CEAM,  e compare com o que acabou de ler no blog do colega acima.

Agora, peço a  você que se arrisque um pouco e registre sua opinião (aqui no blog)  sobre as   perguntas abaixo (ou comentem no geral) o que você pensa sobre o assunto. Façam isso livremente, sem se preocupar com o certo ou errado, apenas comente. E, para enriquecer seus argumentos, seja eles a favor ou contra, sugiro a leitura de algumas postagem publicadas (anteriormente) no art|educando  especialmente  para os alunos do projeto:

Como conservar seus livros

Restauração de livros

Conservação preventiva…

O que parece errado nem sempre o é

Preservar para não restaurar

Restauração de mobílias

Restauração: o limite que não deve ser ultrapassado

Por dentro da lombada

Atelier de restauração

Descubra se seu livro está bem encadernado


1º Devo escrever  em livros públicos ou de outra pessoa?

2º E em meus próprios livros, devo escrever?

3º O que você acha da  intervenção  feita no livro da foto?

4º Você gostaria que alguém realizasse  esse tipo de intervenção em seu livro?  Explique sua resposta.

5º Pode-se usar fita adessiva, durex, etiquetas auto adesivas ou cola branca em livros?

Fotos: Blog Além das Curvas

Boa reflexão sobre a polêmica.

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O que parece errado, nem sempre o é!

23 novembro, 2007

Este post está no formato de entrevista para responder às perguntas que algumas pessoas me fizeram durante essa semana sobre procedimentos de conservação de livros.

FláviaTenho alguns livros de capa branca feita com um material que parece plastificado. Uns estavam sujos, com uma nuvem acinzentada… então, uma amiga passou algodão com álcool neles. Ficaram branquinhos novamente, mas em um deles a sujeira retornou, desta vez de cor marrom. Minha pergunta é: como limpar essa sujeira mais em forma de crosta? A flanela seca não retira… e água, apesar de ser o solvente universal, também não adianta… mas usar álcool é pior, certo?

Elisa – O álcool é utilizado para retirar o mofo; se for esse o caso de seu livro – está me parecendo que sim, você pode diluir na água destilada 5% de álcool (nunca use álcool puro) e passar essa solução, com um paninho limpo e levemente umidacido, na capa do livro, esporadicamente. Mas lembre-se, o mofo não morre; ele tem esporões que penetram na celulose, e fica lá, sem que possamos visualizar; logo que encontrar as condições favoráveis, ele volta. Esse procedimento só é indicado para capas plastificadas; o álcool usado em excesso ou direto no papel pode danificar as fibras e ele se torna quebradiço.

FláviaHá alguma forma de, pelo menos, suavizar marcas de clipes nas folhas de livros?

Elisa – Existem dois tipos de marcas que o clipe deixa no papel. São eles: ferrugem e marcas de vinco. O vinco, você pode suavizá-lo passando sobre ele a parte de trás de um pente de osso (uma solução caseira, nós usamos dobradeiras de teflon, e ou osso). Eu disse pente de osso e não qualquer pente! Evite esfregar muito ou com força, pois a folha poderá rasgar, ou mesmo ficar com brilho. A ferrugem deve ser retirada por um restaurador, mas você ajudará bastante o seu livro se não o deixar molhar. Lembre-se que a ferrugem corrói a celulose e se expande ao seu redor. Sempre que puder, passe levemente, em apenas um sentido, uma borracha branca – daquelas que tem capinha – por cima dessa ferrugem.

FláviaE quanto àquelas páginas amassadas, geralmente a primeira e a última, existe solução? Como fazer para não continuarem se dobrando?

Elisa – Novamente aconselho-a a usar, suavemente, o pente de osso. Se for possível, mantenha esse livro entre duas tábuas de fórmica ou algo similar, de superfície bem lisa, com um peso de ±1 kg, durante uma semana. Esse procedimento ajudará a acertar seu livro. Mas o que resolve mesmo é manusear corretamente.

Luciano – Existe variedade de cores e gramatura do papel japonês? Gostaria de restaurar algumas páginas rasgadas, esse é o papel ideal?

Elisa – Percebe-se que tem um bom conhecimento dos materiais; por acaso você trabalha com livros? O papel correto é o japonês e existem diversas gramaturas e variação de cores, desde o branco até o amarelo escurecido, mas não é fácil encontrar. A escolha da cor deve ser um tom abaixo da folha do livro. A gramatura dever ser inferior à do livro. Eu tenho preferência pelas mais finas para rasgos; no caso de preenchimento, tem que ser da mesma gramatura do papel do livro.

Conheça um pouco sobre a história do papel japonês

Luciano – E a cola, deve-se utilizar o metil celulose?

Elisa – Correto; a cola utilizada tem de ser a carboxi metil celulose. Embora algumas pessoas misturem o CMC (carboximetil celulose) com cola branca, esse procedimento é incorreto e irreversível. Por isso, não o faça!

E lembrem-se existem profissionais especializados nessa área; qualquer intervenção deve ser feita com muita responsabilidade e conhecimento na área. Caso queira intervir em seus livros, aconselho a fazer um curso. Existem procedimentos adequados a cada processo.

Elisa M. Kerr