Memória escolar

REGISTRAR O PASSADO PARA NÃO
PERDER O PRESENTE E MELHORAR O FUTURO!

 

Trabalho desenvolvido para a disciplina de História da Educação, da Universidade São Judas Tadeu do curso de Pedagogia para Licenciados (Formação de Professores), sob a orientação da Profª Neusa de Souza Costa.

Introdução

Este trabalho objetiva registrar o caminho percorrido pelos alunos do curso de Pedagogia, durante toda a sua formação até a presente data. Deseja-se que ao final possam-se perceber os avanços que proporcionaram modificações profundas na educação em nosso país. E isso pode ser percebido pelo simples ato de escrever sobre o comportamento e a importância que um simples casal dava a educação. Porém, mantendo um olhar crítico, para uma análise do contexto da realidade em que essa família estava inserida naquela época.

Este registro, também, favorece uma análise da História da Educação Brasileira. Ao desenvolvê-lo podem-se perceber as diferenças existentes entre cada geração, por meio de uma análise comparativa entre o ensino e o comportamento das famílias do início do séc. 20 com o ensino atual.

O relato que se segue é um registro vivo da memória de quem teve a oportunidade de usufruir da convivência com os avós maternos. Contudo, em seguida, nota-se a falta de registro sobre os avós paternos, o que deixa claro uma lacuna nesse relacionamento e as dificuldades que algumas famílias enfrentavam para dar continuidade a sua formação, o que não difere da atualidade.

Esta pesquisa divide-se em seis capítulos. Os relatos descrevem a trajetória escolar dos avós paterno e materno, dos pais, o da própria relatora e de seus filhos, que puderam contribuir para o enriquecimento do trabalho.

I – Avós Maternos: Uma Missão Quase Impossível

Nascido em 14 de outubro de 1904, na cidade do Rio de Janeiro – RJ. Meu avô, Walter , freqüentou a escola até completar a 1ª série do ginasial. Sabemos que em 1922, aos dezoito anos, foi contratado para trabalhar na Central do Brasil e aposentou-se em 1958 como chefe da estação Ferroviária de Valença. Teve com minha avó 10 filhos.

 

Srº Walter, Dona Iracema e seus filhos

Apesar de não ter concluído os estudos, teve por objetivo dar aos filhos o melhor que pudesse em educação escolar. Sempre acolheu em seu lar muitos estudantes vindos de outras regiões onde não havia escolas. Muitos de seus sobrinhos e filhos de amigos só puderam se formar por ele dar à educação o valor prioritário.

Convido você a fazer uma breve viagem de trem até Cachoeira do Funil (RJ), local onde este relato começa. Ligue o som para ouvir “O trenzinho caipira” de Villa-Lobos e Ferreira Gullar com interpretação de Zé Ramalho.

 

Quando seu filho mais velho, tio Tarly, completou a 3ª série primária, eles moravam no vilarejo Coronel Cardoso, em uma das casas ferroviárias. Um lugar onde havia apenas algumas casas, uma escola primária, um armazém, uma igreja, um laticínio e grandes fazendas. Ao sentir a necessidade de dar continuidade aos estudos de seus filhos, pôs-se a estudar para o curso preparatório de Admissão ao Curso Ginasial, pois só assim poderia prepará-los para o Exame de Admissão ao Ginasial. Assim que soube que o tio Tarly passou no exame, imediatamente solicitou transferência para a cidade de Valença, onde todos os seus filhos puderam concluir os estudos.

Tio João no colo de minha mãe e Tio tarly puxando o carro de boi

Tinha um grande orgulho ao dizer que todos os filhos eram formados; quatro filhas normalistas, sendo que uma dessas filhas foi para a universidade no Rio de Janeiro cursar história, e dois de seus filhos com curso científico. Quando chegou a época de os três filhos mais jovens concluírem os estudos ele já se havia aposentado e seu ordenado não era o suficiente para sustentar esses filhos na universidade. Então abriu uma granja no quintal de sua casa para auxiliar no orçamento doméstico. Dizia sempre: “esses frangos é que pagam os estudos de meus filhos”. Quando a última se formou, ele fechou a granja.

Uma das qualidades que admirava em meu avô era a facilidade de escrever e fazer poesias. Sua caligrafia e ortografia eram perfeitas e possuía um enorme gosto pela informação. Fosse ela política ou econômica, mantinha-se sempre bem informado. Sua oratória era impecável; sentia prazer em discursar sobre seus valores pessoais, familiares e seus conhecimentos. Sempre que pudesse o Sr. Walter se punha a discursar.

Tenho quatro primos de segundo grau que considero meus tios, pois moraram tantos anos na casa de meus avós que são como irmãos de minha mãe e os quatro se formaram em medicina com o auxílio de meus avós, tanto quando moravam lá como também quando foram para a universidade.

Quando meu avô faleceu, meu irmão foi ao cartório registrar o óbito, e uma das perguntas que lhe fizeram foi o grau de escolaridade do falecido. Neste momento meu irmão se lembrou das poesias que vovô escrevia, de sua caligrafia, da cultura adquirida com o passar dos anos e inevitavelmente comparou com sua própria escolaridade e orgulhosamente declarou que o grau de escolaridade do avô era o ensino médio completo.

Minha avó, Iracema , nasceu em MG na cidade de Santa Rita de Jacutinga, no primeiro dia de agosto de 1913 e cursara apenas até a 2ª série primária. Mas foi ela quem auxiliou os filhos nos estudos, pois, assim como meu avô, ela falava e escrevia corretamente. Assumiu juntamente com ele esse projeto de vida familiar, priorizando a educação. Não poupou esforços, pois mantinha uma pensão e vendia pastéis para o bar da estrada de ferro da Central do Brasil.

Com todo esse desprendimento em prol da educação, o casal se destacava na região, pois poucos assalariados conseguiram educar tantos filhos e os filhos dos amigos e parentes com o que, naquela época, era o melhor em educação.

Lembro-me bem dos comentários de meus tios e avós sobre a rigidez do ensino, o uniforme impecável, o comportamento, a forma como se avaliavam os alunos, e que seus filhos estudavam muito. Meu avô dizia que o meu tio Zé aprendera a ler com apenas cinco anos e sozinho, de tanto escutar a tia Nair repetir os textos de história para passar nos exames. Ele decorava os “pontos” e, quando ela terminava, ele comparava o que ouvira com as letras no livro dela. Quando esses comentários surgiam, essa minha tia dizia que tinha “uma raiva danada dele”, pois ela passava horas lendo em voz alta para decorar e ele andava atrás dela repetindo tudo, e logo ele já sabia tudo sobre a História do Brasil.

Comentava, também, as dificuldades financeiras por que passaram para formar todos os filhos. Dois de seus filhos usavam o mesmo par de sapatos para ir à escola, isso porque os dois estudavam em período diferente, embora na mesma escola. Entretanto, em certa ocasião os dois teriam de participar de um evento que aconteceria no mesmo horário, só que meu avô não tinha dinheiro para comprar outro sapato. Então meus tios solucionaram o problema: um usava o sapato no pé esquerdo e enfaixou o direito e o outro o inverso; desta forma os dois participaram do evento.

Da mesma forma acontecia com os uniformes: a dificuldade para adquirir novos e a exigência que a escola fazia que de tempos em tempos suas filhas desmanchassem todos os uniformes e os refizesse pelo lado avesso, pois o tecido ficava queimado com o uso diário e as irmãs não admitiam um uniforme que não estivesse impecável. Isso acontecia desde a primeira série. E para as ocasiões comemorativas especiais, havia um uniforme de gala; esse, então, nem se fala do rigor!

 

II . Avós Paternos: Um Caminho Desconhecido

Dario Almada Alves Nada posso afirmar sobre a escolaridade de meus avós por parte de pai. Dario Almada Alves e Aleide Oliveira Alves eram os seus nomes, faleceram quando meu pai tinha 10 e 12 anos respectivamente. Como meu pai e seus irmãos faleceraAleide Oliveira Alvesm muito cedo, esta memória se perdeu com eles. Acredito que meu avô tenha recebido algum tipo de instrução, pois era técnico da empresa de captação de energia elétrica – LIGHT e tinha um bom domínio do inglês.

 

III – Nancy: Um Trajeto Escolar Completo

Nasceu no dia 13 de janeiro em 1936 em Parapeúna, distrito de Valença. Aos cinco anos de idade mudou-se, juntamente com os pais, para a cidade de Valença. Considerada pelos pais muito fraquinha por ser gêmea, somente ingressou a escola, Colégio Sagrado Coração de Jesus, aos 10 anos de idade. Na mesma escola já estudavam as outras três irmãs mais velhas. Apesar de ingressar tarde na escola, já sabia ler e escrever, pois teve o privilégio de estudar com sua mãe enquanto essa costurava, tendo como material didático as antigas cartilhas dos irmãos.

 

“Falo que era levada até mesmo malandra, mas o ensino era muito apertado e rígido levando o aluno, independentemente do comportamento e posição social, a se preparar e aprender. Não tínhamos as facilidades de hoje para se adquirir conhecimento. Éramos obrigados a nos prepararmos para os exames escritos e orais.” (NANCY, 2006)

 

Ao término do 3º ano do curso ginasial, mais uma vez teve que enfrentar aquela banca examinadora. Segundo (NANCY, 2006) os exames eram: “Exames orais! Que loucura! Uma banca de Freiras e de professores antigos, no mínimo três examinadores, cada um mais exigente que o outro. Depois de passar por isso, às vezes ficava em 2ª época.“ E foi o que aconteceu. Ela não conseguiu passar direto e ficou para a segunda época, tendo que estudar muito para fazer outro exame de português e francês.

Nancy valsando com seu irmão Tarly

blog-formatura-nancy-1.jpg Os alunos dessa época eram submetidos a grandes constrangimentos e muitas vezes humilhação. NANCY (2006) deixa claro essas dificuldades: “Meu Deus! Ficar as férias todas de castigo estudando só para fazer a prova de 2ª época e no final enfrentar novamente aquela banca examinadora e por fim ser reprovada em francês!” Foi a partir deste episódio que ela passou a estudar com seriedade.

Em 1956 ingressou para o ensino Normal e se formou em 1958. Logo após sua formatura, em 1959, foi trabalhar como professora substituta do estado, na fazenda Santa Justa (para substituir sua própria irmã que iria se casar). Em 1960, após passar no concurso como professora efetiva, retornou para Valença lecionou na escola de estado e, também, no colégio particular onde estudará por tantos anos.

Nancy e suas colegas com uniformes do CSCJ

IV – Papai e Sua Curta Trajetória Escolar

 

Papai e mamãe Nascido em 17 de dezembro de 1936, na cidade de Valença, estudou até o 1ª série ginasial, sendo que o primário foi no Grupo Escolar Casimiro de Abreu. Ele teve de trabalhar muito novo, pois desde os 13 anos já era órfão de pai e mãe. Lia e escrevia perfeitamente e, por ser funcionário da Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda, RJ, teve a oportunidade de fazer diversos cursos internos. Para poder executar bem suas funções de torneiro mecânico dentro da empresa, passou a dominar o inglês, e também desenhava peças e acessórios de carros perfeitamente.
 V – Minha Trajetória Escolar

Eu na 2ª série.

Eu quando cursava a 1ª sérieNasci e fui criada, até os 15 anos, em uma cidade pequena e muito gostosa – Valença – no interior do Estado do Rio de Janeiro. Comecei a freqüentar a escola aos cinco anos para cursar o pré-primário; depois fui estudar no Instituto de Educação para cursar a 1ª série. Nesse mesmo ano papai faleceu; foi muito difícil para mim. Apesar das dificuldades, consegui passar para a 2ª série, mas ao chegar à metade da 2ª série, os professores e a diretoria, juntamente com minha mãe, chegaram à conclusão de que o ideal para minha vida escolar seria que eu retornasse para a 1ª série, e assim foi feito. Continuei no Instituto de educação até terminar a 4ª série.

Ganhei uma bolsa escolar e fui transferida para o Colégio Sagrado Coração de Jesus (CSCJ), o mesmo em que minha mãe estudara, para cursar a 5ª série ginasial, o que detestei. As escolas dessa época eram rigorosas, com uniformes, nas avaliações, mas essa era pior. O uniforme do dia-a-dia impecável; o de gala, então… Já não usávamos o mesmo modelo de uniforme de minha mãe, nem éramos examinadas em bancas, mas aquelas freiras, algumas ainda eram as mesmas! As pessoas eram muito individualistas e havia muita discriminação social, e foi muito ruim para mim. Ainda me lembro de ter um colega de classe que fazia gestos obscenos para mim, dentro da sala de aula e por diversas vezes e, quando foi reclamar, fui suspensa por inventar mentiras; afinal de contas, o filho do doutor jamais faria isto! Coitadinho desse menino, tão inocente!

Estava até indo bem à 5ª série, apesar de não ter aceitado bem o casamento de minha mãe no início daquele ano. No mês de outubro precisei fazer uma cirurgia e o pós-operatório era repouso por quase um mês, mas mesmo assim passei de ano. Foi muito estranha e confusa a 6ª série. O resultado foi uma reprovação e perdi a bolsa. Lembro-me bem de ter gostado de ser transferida para a Escola Estadual José Fonseca; novamente me sentia em casa, junto de pessoas como eu. Para minha surpresa, quase todos os professores eram os mesmos do CSCJ, foi muito gostoso!

Eu, na 6ª série no colégio estadual.Fui muito levada e irresponsável como aluna, sempre! Nessa escola os alunos mais ativos eram convidados a fazer aulas de teatro e vôlei fora do horário, é lógico que fui convidada. Era uma delícia participar dessas atividades. Apesar de ser uma escola de pessoas com renda baixa, os professores sempre promoviam passeios para os parques em São Paulo ou Rio de Janeiro. Ao ver que algumas pessoas de minha sala de aula não iriam ao Playcenter por falta de recursos, fiquei muito triste. Juntamente com um colega, resolvemos vender salgadinhos e o lucro foi para uma caixinha, onde pudemos juntar dinheiro o suficiente para que todos de nossa sala fossem ao passeio e ainda sobrou para o lanche deles. Uma dessas alunas que não poderia desfrutar desse momento tão divertido para todas as crianças morava no lixão da cidade. Cursei somente até a 7ª série nesta escola; tivemos de mudar para outra cidade.

Nesta cidade, Volta Redonda, passei a freqüentar uma das escolas da prefeitura. Era enorme, lotada de alunos, foi horrível. Tive que fazer novas amizades; foi difícil, mas adaptei-me. E me adaptei até mesmo a prepotência de certos professores. Na 8ª série, na primeira semana de aula e recém-chegada nesta escola, tive um confronto com minha professora de matemática, por deixar de fazer as atividades. Minha mudança fora naquela semana e eu ainda estava ajudando minha mãe. Fui ameaçada de ser reprovada por essa professora. Ela nem me conhecia! Não sabia que eu adorava matemática, e que meu padrasto era professor de matemática. Como pôde ser tão tola!

Continuei nessa escola até terminar a 1º ano do segundo grau. Em 1981 consegui uma bolsa-trabalho para estudar no Colégio Macedo Soares; estudava pela manhã e trabalhava à tarde no setor de comunicação visual do Colégio. Nesse departamento tive a oportunidade de trabalhar diretamente com a professora de artes e aprender muitas técnicas com ela. Também, foi nesse momento que decidi que faculdade iria cursar. Nessa escola tive outro confronto com o professor de Física. O indivíduo era um militar aposentado, nem mesmo os pais dos alunos ousavam enfrentá-lo. A forma mais delicada de tratar um aluno era chamá-lo de burro! Certa vez, cansada de ser chamada de burra por ele, e ter me mandado pastar, o enfrentei. É claro, fui levado para a direção e, para minha felicidade e surpresa, o diretor mandou-me para a sala de aula de novo e ele ficou vermelho de raiva. Quase me reprovou! Foi muito difícil aprender física depois de ter um professor como ele. Pedi transferência para outro colégio.

Fiz cursinho junto com o 3º ano em 1982, no Colégio Novo, também com bolsa-trabalho, ou seja, quando os professores precisavam de algum material didático, eu o fazia para eles. Mas apesar do cursinho, não pude freqüentar a faculdade por falta de recursos; em Volta Redonda não havia curso de Artes.

Em 1984 me mudei para Belo Horizonte e foi morar no Colégio São José de Calazans, candidata ao noviciado, e lá comecei a dar aulas de religião para o pré-primário e para a 4ª série. Tinha também a atribuição de reorganizar a biblioteca escolar; tínhamos os livros, e muitos livros, mas nada catalogado. Para que isso fosse possível, fiz um curso de auxiliar de bibliotecária escolar. E depois um outro de como contar histórias para as crianças; este curso fazia parte da complementação do anterior, levando essa técnica para dentro da biblioteca escolar. Após dois anos retornei para Volta Redonda e me matriculei no curso de enfermagem, mas não dei continuidade ao curso, pois aprendi com meu tio a programar para computadores e me engessei nesta profissão, após fazer diversos cursos de linguagens de programação.

Professores da USJT - curso de ArtesMudei-me para São Paulo em 1986 para trabalhar e, depois de estabelecida na cidade, em 1989 prestei vestibular para a Universidade São Judas Tadeu e para a FMU. Passei em ambas e em 1990 me matriculei no curso de Artes Plásticas na Universidade São Judas. Ao término do 2º ano fui demitida da empresa em que trabalhava; não sendo possível mais arcar com mais esse gasto mensal, precisei trancar a matrícula.

Apresentação da música garibalde na disciplina de música 1º ano - Profª CidinhaAos 30 anos retornei a universidade e comecei a interessar-me por restauração de papéis e documentos. Por intermédio da FUNDAP fiz estágio de um ano no museu Paulista (Ipiranga) em restauração de documentos e papéis antigos.

Coral do Curso de Artes. Eu estou de roupa rosaNo 4º ano fiquei grávida de minha filha, Sofia, e as dificuldades para freqüentar a universidade intensificou. Mas aos 31 anos estava formada., Foi difícil conquistar esta graduação tão desejada, por isso foi tão prazerosa.Apresentação de peça teatral no 2º ano- Profs. Henrique e Rita.

Com desejo de aprofundar meus estudos em restauro, passei a freqüentar a Associação Brasileira de Encadernação e Restauro – ABER. Nesta associação cursei encadernação comercial e clássica, douração em livros, decoração de capas e, em 98, fiz o curso de Restauração de Papéis e Documentos organizados em conjunto pela ABER e SENAI. Desta forma oficializei o estágio do Museu Paulista.

Especializei-me em restauração e encadernação, dando continuidade a minha formação, até retornar à universidade.

Em 2004 comecei a observar minhas dificuldades em transmitir meus conhecimentos e, desejosa em fazê-lo, resolvi cursar licenciatura nesta universidade. Em 2005 concluí mais essa etapa de minha vida e Profs. Dinéia, Ubajára. eu, Cristina e Fernando na minha colação de grau da Licenciatura.já dando andamento em outra etapa. Pois junto com a prof. Zenáide, da disciplina de Psicologia, elaborei um projeto sob sua orientação para atender as pessoas com dificuldades de aprendizagem matriculadas no Centro de Alfabetização de Jovens e Adultos “Profª. Alzira Alternfelder Silva Mesquita” (CAAM – mais um dos Projetos de Extensão da Universidade São Judas Tadeu). Mas para isso me foi pedido que continuasse nesta universidade por mais dois anos. Resolvi então cursar Pedagogia, o que tem sido muito bom para aprofundar-me e definir qual a área de atuação eu quero seguir em educação.

VI – Sofia e Victor: Um Longo Caminho a Ser Percorrido

Meus filhos foram logo cedo para a escolinha; a Sofia foi com 2 anos e o Victor com 6 meses. Era uma escolinha simples, porém, da confiança de meus amigos. Com o passar dos anos percebi que a Sofia estava desestimulada e a troquei de escola.

Pensando no melhor para minha filha, a matriculei no melhor colégio construtivista e sócio-interacionista da região. Foi um fiasco, a coordenadora era muito autoritária e chegou a acusar a Sofia de mentirosa e eu, como uma tonta, acreditei. Consegui depois entender o que tinha acontecido e até provar a sua inocência, mas essa coordenadora não aceitou a possibilidade de ter acontecido algo diferente. Mas, nessa escola tinha uma criança com necessidades especiais gravíssimas e só a Sofia era quem a acalmava. Interessante, uma menina de cinco anos fazendo o papel da coordenadora e isso chegou aos ouvidos da direção. Essa coordenadora teve de reconhecer os valores que minha filha tinha interiorizado e sua capacidade de ser inclusiva e verdadeira. Mesmo com todos os elogios, já havia me decidido por uma escola menor onde ela seria tratada como gente e não uma matrícula a mais.

Voltei a juntar meus filhos na mesma escola e escolhi uma escola também construtivista sócio-interacionista e com poucas crianças por sala de aula.

Hoje a Sofia, com 11 anos, está no 6º ano e o Victor, com 7 anos, cursa o 2º ano. Vale lembrar que a escola já se adaptou ao novo regime de 9 anos de escolaridade para o ensino fundamental.

Esta escola, como outras, acompanha diariamente a aprendizagem da criança. Faz isso por meio de agenda com registro diário dos acontecimentos, com as reuniões bimestrais quase que individuais. Qualquer dificuldade ou problema com elas, os pais são comunicados imediatamente, desde aprendizagens, como dificuldades no comportamento, ou mesmo uma atitude indevida. Este registro diário é um auxilio aos pais para que possam orientar seus filhos antes que as dificuldades se agravem.

Hoje existe uma grande preocupação com a qualidade da aprendizagem das crianças, dentro da própria escola. E para que essas crianças tenham um bom desenvolvimento cognitivo, as escolas promovem diversas atividades extra-classe, como por exemplo: jogo de xadrez, ginástica olímpica, balé, sapateado, diversos jogos esportivos, tanto masculinos como femininos, orquestra, banda…, cumprindo assim, o papel de socializar nossas crianças e promover a aprendizagem significativa.

VII – Considerações finais

A importância do desenvolvimento deste trabalho se dá ao proporcionar o regate de memórias e a oportunidade de registrá-las. Ao promover este registro pode-se perceber a importância deste ato e o quanto é prazeroso coletar esses dados e registrá-los para que não se percam com o passar dos anos.

Esta análise cumpriu com papel de favorecer a aprendizagem por meio da verificação das diferenças e mudanças que ocorreram na educação, ao olhar para o passado dos familiares e perceber que todos os sistemas educacionais tiveram seus benefícios e retrocessos. Que em cada situação cumpriu o seu papel de acordo com o contexto da época em que os protagonistas dessa história vivenciaram.

Antigamente as escolas eram orientadas a trabalharem apenas com o conteúdo de cada disciplina; nossos pais, avós e muitos até hoje foram e são educados no ensino dentro de escolas tradicionais. Atualmente, com o avanço da psicologia e sua influência, as escolas passaram a trabalhar com diversos métodos e atividades para desenvolver as competências de nossas crianças.

Ninguém pode afirmar que as gerações anteriores eram menos inteligentes que as crianças de hoje e que o diferencial estava na forma de ensinar. Diria, portanto, que o ensino hoje é mais humano e harmonioso quando adota uma ação pedagógica crítica e reflexiva, para promover uma educação mais efetiva. O que nem sempre acontece, mesmo nos dias atuais e com todos os mecanismos de comunicação, divulgação dos os progressos e métodos de ensino e a evolução da educação. Nós não tivemos foi uma educação prazerosa, menos ainda meus pais e avós, mas fomos ensinados sim, a buscar o conhecimento; digo por mim e por minha família.

 

31 Respostas to “Memória escolar”

  1. Carol Torres Says:

    Convido vc a participar de nossa plataforma sobre memórias escolares. Inclua sua experiência e compartilhe com outros estudantes ou adultos!
    Aqui: http://pt.no-meu-tempo-de-escola.wikia.com/wiki/Wiki_No_meu_tempo_de_escola

  2. valdirene Says:

    lisa ,me envie tudo que puder sobre ed.infantil estou terminando o curso de pedagogia a ditancia que e muito fraco.minha irma esta montando uma escola infantil. e nao temos nenhuma experiencia.
    abrcs.desdes ja agradeco.

  3. m Says:

    adorei seu memorial bjss

  4. elisa martelli Says:

    Ola, estou cursando pedagogia e visitei o seu blog pois tenho que apresentar um memorial. Gostei muito…
    Meu pai e seus irmãos também nasceram em Santa Rita de Jacutinga. Meu pai é de 1933. Eu também tenho uma filha chamada Sophia, hoje com 5 anos…
    Adorei seu memorial.
    Abraços

  5. Andrrea Says:

    Elisa, é uma graça divina poder conhecer a história de cada um de sua familia e poder mostrar o quanto é importante. Parabéns. Você me motivou a dar continuidade ao memorial que escrevo. Obrigada e parabéns.

    • Elisa Kerr Says:

      Andrea, foi muito gostoso fazer este trabalho. A partir dele descobri muitas outras coisas que me surpreenderam. Valeu a pena!

  6. fátima Says:

    Que memorial lindo!! Que exemplo de vida, desde a meta dos seus avós em prol da educação dos filhos, extensiva aos amigos e parentes mais distantes, até a sua atitude com o movimento de vender salgadinhos para proporcionar aos colegas de escola menos favorecidos, um momento de lazer no parque. Aprendi muito com esse depoimento. De certa forma, a história do seu avô, algumas passagem, tem uma certa semelhança com a história de vida do meu pai. Fátima Rodrigues/Crateus-Ce

  7. ANALY PAULA SANTOS Says:

    Parabéns Elisa!
    Além de competente você é generosa.
    Preciso fazer um memorial anual do colégio onde trabalho. Gostei muito desse memorial da Trajetória Escolar, mas preciso de um memorial de colégio. Não encontrei modelo, roteiro e nada que pudesse me ajudar. Conto com você.
    Por favor me oriente na elaboração desse memorial… que etapas seguir e tudo que você tenha conhecimento sobre memorial anual de um colégio.

    aguardo uma resposta com urgência.

    Bjs

    Analy

  8. joao batista Says:

    ao ler o seu momorial achei muito interessante , adorei vc esta de parabns

  9. Tania Nancy Ribeiro Says:

    Parabéns, já coloquei o seu blog em favoritos, sou educadora e seus textos são maravilhosos vou utilizar muito.

    abraços, que Deus te proteja sempre.

  10. Elisa Kerr Says:

    Ana,

    Minhas avaliações são somatórias de varais notas que já combino com a turma. Defino quais atividades valem ponto, determino um valor para cada uma e depois somo todos. Não faço média.Se a escola exigir uma avaliação com nota máxima dez ou oito (alguma escolas determinam assim) tenho uma tabela a parte para somar e dividir com essa avaliação. Atribuo pontuação para comportamento, interesse, o que eu achar melhor em cada atividade. Essa tabela, em alguns momentos, eu pontua na frente deles enquanto fazem as atividades, assim aqueles que não estão fazendo percebem que não estão recebendo sua recompensa. Trabalho em equipe, participação etc, tenho tudo nessa tabelinha para não confiar na memória. Assim se alguém perguntar, tenho em mãos para confrontar com os argumentos de outros e para não cometer injustiças.

  11. Ana Says:

    Parabéns pelo seu blog. Aproveito para pedir dicas de como fazer um formulário de avaliação contínua de cada aluno. Isso para ter um acompanhamento mais próximo.

  12. Maria Roméria de Oliveira Says:

    Oi Elisa,

    estava fazendo uma pesquisa na internet e achei seu blog. Adorei cada pedacinho do que li. Saiba que aprecio muito seu trabalho, você está de parabéns. Admiro-a pela sua dedicação, vc é muito esforçada e, não é à toa que faz tudo muito bem feito!!!!!!!!

    Parabéns…..beijos até mais…

  13. Elisa Kerr Says:

    Olá Dorinha,

    Minha mãe ficou muito feliz com seu comentário, segundo ela, você foi uma das alunos dela na fazenda, antes de ir para a casa de meus avós. Fiquei muito feliz com sua visita.
    Um abraço
    Elisa

  14. maria das dores ( dorinha, filha do joão pedro) Says:

    fiquei felizem ver seu blog memoria escolar e lembrar de todos , pois fui trazida pela suz mãe para valença quando tinha 11 anos da fazenda santa justa para olhar sua tia lucinha, e fui muito feliz junto a voces. parabens por sua reportagem como me emocionei em ver e
    a foto de sua familia, dorinha

  15. naum Says:

    o cscj eh muito eh bom tah?

  16. Luiz Carlos Moura Jr Says:

    Nossa.. coincidentemente minha avó também nasceu em Santa Rita, minha mãe cresceu em valença, onde nasci, estudei no colégio macedo soares e no colégio novo!!

  17. Raimundo de Mello Alves Says:

    Não tenho palavras só lagrimas de saudade e emoção, muita emoção.
    Minha irmã, demorei uns 45 minutos para ler este texto, não foi por falta de cultura, mas porque não consegui parar de chorar.
    Viajar no tempo em 45 minutos não é fácil mas é fascinante.
    Gente imagine o Vô lendo este relato, orgulhoso como ele era, ou é, porque acho que ele está vivo dentro de todos!!!!
    Como muito orgulho de ser seu irmão, e fazer parte desta família.
    Um beijo,

    Raimundo

  18. Ruyz Alcantara Filho Says:

    Quem é vivo sempre aparece, Elisa.

    Pra mim que estou “longe”, é muito interessante ler sobre meu avô, ver fotos dele, ver fotos da minha mãe, do Tarly (que não conheci). Muito interessante, muito emocionante.
    Descobri esse site através da Maíra.
    Belo trabalho.
    Fica com Deus,
    Um beijo,

    Ruyzinho.

  19. Tio Célio Says:

    Minha filha!
    Como você foi feliz em tudo que relatou!
    Como me alegrou ler essa história que também conheço…
    Claro que tudo ocorreu debaixo de muitas lágrimas…
    Não podia ser diferente sendo filho do Vô Walter também sou muito manhoso…
    Deus abençoe a você.
    Célio

  20. Neusa Says:

    Elisa
    Parabéns pelo trabalho que você vem desenvolvendo neste blog (que palavrinha palavrão!!!). Você não me surpreendeu com este estudo, porque sei o quanto você é capaz. O trabalho memórias de banco escolar foi inesquecível. Fico feliz por ter oferecido a você a oportunidade de mostrar o seu talento.
    Parabéns.

  21. Fernando Says:

    Caramba! Que bonito, gostei muito. Deu pra matar um pouquinho da saudade,
    parabéns
    do primo
    Fernando

  22. Tarly Says:

    Oi Elisa, peguntei sobre as fotos mas infelizmente ele não tem…me desculpe…
    Eu mesmo fiquei muito curioso sobre o cinema!!!

  23. Elisa Kerr Says:

    Tarly,

    Será que seu pai tem alguma foto do vilarejo de Coronel Cardoso ou do cinema? Já procurei na internet e não acho nada. Gostaria de colocar no memórias.

    Um abraço
    Elisa M. Kerr

  24. Rachel Navarro Blasques Says:

    Elisa, quero parabenizá-la por sua história, adorei conhecer cada detalhe, tinha uma ótima lembrança dela quando escutei no Encontro de Estudos Formadores e hoje ao ler parecia que a escutava contar a história novamente.
    Gostaria de agradecer a visita ao meu blog e dizer que tenho interesse em material de estudos que podem ser enviados no meu e-mail rachelblasques@hotmail.com.
    Rachel 1APGN

  25. Prof. dineia Hypolitto Says:

    Elisa a cada dia que passa você me surpreende! a viagem que fiz foi fantástica. Fico feliz que você possa compartilhar um trabalho de qualidade com todos os seus parceiros de turma e do CAAM. Abraços Prof. Dinéia

  26. Prof. Denize Thomaz Says:

    Cara Elisa estou visitando o seu Blog a convite da Prof. Dinéia. Fiz a viagem até cachoeira do Funil, e fiquei encantada. O seu trabalho de memórias escolares resgatando os seus antepassados ficou belíssimo , sem contar a viagem que você nos proporcionou. Achei Genial e vou propor o mesmo trabalho para os meus alunos. Um abraço Prof. denize Thomaz- rede publica municipal de São paulo

  27. Tarly Says:

    Muito interessante e bem feito!

    ótimo trabalho!!!!

  28. prof.lenita maria de almeida Says:

    Olá Elisa estou maravilhada com o seu memorial de formação. Gostei muito de conhecer a trajetória de uma aluna tão elogiada pela professora Dinéia. E aliás pelo que li , faz jus ao comentado por ela. Parabéns!Prof. Lenita de almeida- mestre em Educação e consultora pedagógica

  29. prof.Dineia Hypolitto Says:

    Elisa O seu memorial está muito bom!UM memorial de formação é acima de tudo uma forma de narrar nossa história por escrito para preservá-la do esquecimento.É o lugar de contar uma história nunca contada até então- a da experiência vivida por cada um de nós. É também por isso que nós educadores precisamos escrever. Para tomar consciência do quanto sabemos e nem sabemos que sabemos. E do quanto ainda não sabemos, mas podemos com certeza aprender. Gostei muito da foto da formatura da licenciatura , que aliás colocou o quarteto do CAAM- Dinéia, Ubajara, Fernando e Cristina. PARABÉNS! Um abraço Prof. Dinéia

  30. Márcia (1ºPedagogia USJT) Says:

    Elisa

    Para quem esteve presente ao I Encontro de Estudos e Foramdores, promovidos pela USJT, foi contemplado com muita informação sobre a area de pesquisa, podemos presenciar tudo o que estava no papel ser desempenhado na prática.
    Adorei aquele trem que você colocou na sua apresentação.Lembra o passado, nos remonta para o presente, refletir no futuro.
    Aprender sempre…
    Espero que você possa continuar nos trilhos deste trem e nos presentear com apresentações tão enriquecedoras como você fez!

    Um abraço,
    Márcia

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